Guará revive tradições infantis com projeto que resgata cirandas e brincadeiras populares

Mais do que relembrar o passado, o projeto “Cirandando, Brincando e Encantando” tem promovido uma verdadeira reconexão entre as crianças do Guará e o universo lúdico das brincadeiras tradicionais brasileiras. A iniciativa cultural, que estreou no dia 15 de agosto na Escola Classe 1 do Guará, oferece às novas gerações uma vivência rica em cultura, música, poesia e interação.

Voltado para estudantes do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas do Distrito Federal, o projeto contempla 12 apresentações interativas ao longo de seis meses, com foco nas instituições localizadas no Guará, Cruzeiro e Núcleo Bandeirante. Só no Guará, centenas de crianças já mergulharam em atividades que despertam a imaginação e fortalecem vínculos afetivos dentro e fora da sala de aula.

Resgatando a cultura do brincar

O projeto foi idealizado pela professora aposentada Mônica Fernandes, que há décadas se dedica à valorização do brincar como ferramenta de aprendizagem e desenvolvimento emocional. Para ela, a proposta vai além do entretenimento: é uma ação de resistência cultural. “O mais importante é manter vivo esse brincar coletivo, o olho no olho, o movimento, a escuta. Muitas crianças hoje não conhecem essas brincadeiras porque nunca viveram isso. E a gente só gosta do que conhece”, destaca Mônica.

As apresentações promovem rodas de cantigas, adivinhas, versos, poesias e jogos coletivos, sempre com foco na interação e no trabalho em grupo. A proposta é tirar as crianças das telas e devolvê-las ao chão da escola como espaço de convivência, imaginação e memória cultural.

Música e participação ativa

A trilha sonora das atividades é comandada pelo percussionista Mestre Célio Zidorio, conhecido como Celin Du Batuk, que convida os alunos a participar ativamente por meio do toque de tambores e da experimentação de ritmos tradicionais da cultura popular brasileira. A presença da música ao vivo traz uma experiência sensorial marcante para os estudantes, estimulando o corpo e a escuta em um ambiente de aprendizado lúdico.

Inclusão e acessibilidade

Com um compromisso firme com a inclusão, todas as apresentações contam com intérprete de Libras e audiodescrição feita pela própria mediadora. Além disso, as crianças recebem uma cartilha educativa em formato de jogo da memória, com versões adaptadas em braile, garantindo que estudantes com deficiência visual também possam participar plenamente da experiência.

Um novo olhar para a escola

O “Cirandando, Brincando e Encantando” transforma o ambiente escolar em um espaço de redescoberta. Ao trazer à tona elementos culturais que formaram a base da infância de muitas gerações, o projeto reforça o papel da escola como lugar de encontro, partilha e afetividade.

No Guará, a recepção tem sido calorosa. Professores, gestores e familiares relatam entusiasmo ao ver as crianças engajadas com brincadeiras como cirandas, parlendas e adivinhas, muitas vezes conhecidas apenas por gerações mais antigas.

Valorização da cultura popular

A iniciativa é realizada com recursos do Fundo de Apoio à Cultura (FAC), da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do DF. Além de resgatar tradições orais e gestuais da infância brasileira, o projeto reforça o valor da cultura popular como patrimônio vivo, que precisa ser conhecido, vivido e transmitido.

Com suas cores, sons e histórias, o projeto segue encantando alunos e educadores, especialmente nas escolas do Guará, onde a ciranda voltou a girar — e com ela, uma infância mais leve, coletiva e cheia de significado.

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