No último sábado, 29 de março de 2026, o tradicional Kioske da Jesus, localizado na Feira do Guará, foi palco de um reencontro carregado de significado histórico e afetivo. O grupo Dinossauros Rex do Guará promoveu sua segunda edição de encontro, reunindo antigos atletas e personagens que ajudaram a construir uma das fases mais marcantes do esporte na cidade.
O evento teve como eixo central a valorização da memória esportiva local, especialmente do futebol amador do Guará, que nas décadas de 1970 e 1980 alcançou reconhecimento como um dos mais fortes e organizados do Distrito Federal. Em meio a conversas, abraços e muitas recordações, os presentes revisitaram histórias de campeonatos, rivalidades saudáveis e a forte integração comunitária que caracterizava aquele período.
Outro ponto de destaque foi a lembrança do Clube de Regatas Guará, que representou o futebol profissional da cidade e marcou época na história esportiva da região. Para muitos dos presentes, relembrar essa trajetória foi também reafirmar o orgulho de terem feito parte de um momento em que o esporte local ocupava posição de protagonismo. A camisa utilizada nesta segunda edição simbolizou esse resgate: inspirada na principal conquista do clube, a vestimenta funcionou como um elo entre passado e presente, reacendendo o sentimento de pertencimento coletivo.
Entre os depoimentos que marcaram o encontro, o ex-atleta Robson Garcia Leal, conhecido no meio esportivo como “Marinho”, trouxe à tona memórias profundas de sua trajetória. Ele relembrou suas três passagens pelo Clube de Regatas Guará, nos anos de 1983, 1986 e 1990, destacando a tradição da equipe e o quanto o clube mobilizava a comunidade. Em sua fala, também expressou preocupação com o atual estado de abandono de elementos históricos ligados ao clube, defendendo a necessidade de preservação não apenas esportiva, mas também cultural desse patrimônio, já incorporado à identidade do Guará.
Marinho também situou o contexto da época em que o futebol amador florescia na cidade, ainda em fase de implantação urbana. Segundo ele, o chamado “Terrão do Guará” era palco de disputas intensas, com destaque para o tradicional “Pratão”, reunindo atletas que, além da garra dentro de campo, construíram trajetórias sólidas como profissionais e cidadãos. Para ele, o grupo Dinossauros cumpre hoje um papel fundamental ao manter viva essa memória: “A gente está repassando a história, e isso é muito importante. O grupo só cresce e fortalece esse legado”, ressaltou.
Outro depoimento marcante foi o de Francisco Felix de Souza, o “Perla”, que destacou a origem do grupo, formado por antigos companheiros de futebol das décadas de 1960, 70 e 80. Ele relembrou os campeonatos disputados nos campos de terra do Guará, onde a rivalidade existia apenas dentro das quatro linhas, dando lugar à amizade fora delas. Segundo Perla, o grupo se consolidou como um espaço de reencontro e preservação da memória, reunindo hoje participantes, em sua maioria, com mais de 60 anos.
Perla também destacou o caráter simbólico dos encontros, que funcionam como uma verdadeira viagem no tempo. Histórias são relembradas coletivamente, reconstruindo momentos marcantes vividos nos campos e fora deles — desde partidas acirradas até os tradicionais encontros pós-jogo nos bares da cidade. Ele ressaltou ainda que o grupo mantém um ambiente focado exclusivamente na amizade e no futebol, evitando temas como política, religião ou qualquer conteúdo que desvirtue o propósito original da iniciativa.
Um dos momentos mais emblemáticos desta edição foi a presença de antigos atletas que vieram de outras regiões apenas para participar do reencontro, como Carlos Alberto, que se deslocou do Rio de Janeiro para reviver memórias e reencontrar companheiros de equipe. A iniciativa reforça a dimensão afetiva e o alcance desse movimento de resgate histórico.
Joaci, outro participante do encontro, destacou a emoção de reviver momentos únicos ao lado dos Dinossauros do Guará Em sua fala, enfatizou o alto nível técnico do futebol amador da época, lembrando que muitos atletas chegaram ao profissionalismo. Ele relembrou com entusiasmo os clássicos disputados nos campos de terra, especialmente o confronto entre Humaitá e Carajás, considerado um dos mais emblemáticos da cidade, reunindo jogadores que hoje são vistos como verdadeiras lendas locais.
Segundo Joaci, o reencontro foi marcado por uma intensa troca de memórias, em que cada participante trouxe à tona seus momentos de glória nos campeonatos do Guará, resgatando vivências da adolescência e reforçando os laços construídos ao longo de décadas. “Foi uma verdadeira viagem no tempo”, sintetizou.
O clima de celebração ganhou ainda mais intensidade com a participação do músico Gugu Barros, que animou o encontro com sua voz e violão. Em meio às rodas de conversa e às lembranças compartilhadas, seu repertório trouxe leveza e emoção ao ambiente, funcionando como trilha sonora perfeita para aquele reencontro histórico. As canções, entoadas de forma intimista, embalaram os presentes e contribuíram para fortalecer ainda mais o sentimento de união, transformando o momento em uma verdadeira confraternização entre amigos que compartilham não apenas o amor pelo futebol, mas também pela cultura e pela memória do Guará.
Entre risos, relatos emocionados e a tradicional resenha do futebol, os integrantes mostraram que o grupo vai além de um simples reencontro: trata-se de um movimento de preservação da história viva da cidade. A segunda edição, que contou com o importante apoio da Administração Regional do Guará, consolida o Dinossauros Rex do Guará como uma importante iniciativa de valorização da memória esportiva local. Mais do que relembrar o passado, o grupo reafirma a importância do futebol como elemento formador da identidade cultural do Guará, mantendo vivas as histórias que ajudaram a construir a cidade.














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