Nada como inaugurar o novo quando o velho ainda está caindo aos pedaços. O Governo do Distrito Federal e a Administração do Guará parecem ter descoberto a fórmula mágica da gestão pública: quando não se consegue cuidar das praças que já existem, constrói-se mais dez. Afinal, se o problema é o abandono, nada como expandir o portfólio de descuido.
O plano — em parceria com a Terracap — vai custar R$ 2,3 milhões e promete “modernas áreas de convivência, academias ao ar livre, hortas e pergolados”. Tudo isso embalado no discurso de “melhorar a qualidade de vida da população guarense”. Bonito no papel, inspirador no release, mas completamente desconectado da realidade de quem caminha por praças tomadas pelo mato, com brinquedos quebrados e postes que raramente acendem.
A verdade é simples: o Guará não precisa de mais praças, precisa de manutenção nas que já tem. Hoje, boa parte delas virou símbolo do descaso — bancos destruídos, calçadas esburacadas, parquinhos em ruínas e quadras esportivas onde ninguém mais pratica esporte, a não ser o malabarismo para desviar de buracos.
Mas o administrador Artur Nogueira, em tom de euforia, garante que “acompanha tudo de perto”. Perto de quê, ninguém sabe — porque o que se vê, de perto mesmo, é uma cidade que se desfaz enquanto o governo posa para fotos em obras novas.
É a velha lógica do enfeite sobre o entulho: não se conserta o que está quebrado, apenas se inaugura algo novo ao lado, com direito a fita, selfie e discurso sobre “avanço urbano”. O problema é que, depois da festa, sobra o mesmo de sempre — o abandono diário, a iluminação precária e a sensação de que o dinheiro público serve mais para marketing do que para manutenção.
O projeto também conta com a articulação do ex-deputado Gilvan Máximo, porque, claro, obra pública no Guará sem um padrinho político é quase uma heresia.
Enquanto isso, as praças antigas seguem lá, resistindo ao tempo e ao descuido, testemunhas silenciosas de uma gestão que prefere pintar a parede nova do que varrer o chão velho.
No ritmo atual, logo o Guará será conhecido como a cidade com mais praças por metro quadrado — e menos condições de lazer reais para a população. Porque aqui, a prioridade é sempre a mesma: construir, inaugurar e esquecer.




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