Bate Papo com Mário Santos, presidente da Escola de Samba Lobo Guará

Figura atuante na cena cultural do Distrito Federal, Mário Santos carrega no peito a essência do samba que nasce nas comunidades e se fortalece na resistência cotidiana. Percussionista, compositor, educador e, atualmente, presidente da Escola de Samba Lobo Guará, ele construiu uma trajetória marcada pela vivência direta com a cultura popular e pelo compromisso com a formação de novos talentos.

Nesta entrevista à Folha do Guará, Mario revisita suas origens no samba, reflete sobre os desafios enfrentados ao longo de sua caminhada e analisa o papel das escolas de samba como instrumentos de transformação social e preservação cultural em Brasília. Com uma fala firme e enraizada na realidade das periferias, ele também destaca a importância da educação musical, da coletividade e do fortalecimento das políticas culturais.

Ao abordar a preparação da Lobo Guará para o próximo carnaval, Mário evidencia a força da comunidade e a persistência de quem faz cultura mesmo diante das limitações estruturais. Entre memórias, críticas e projeções, a entrevista revela não apenas a trajetória de um sambista, mas o retrato de uma luta coletiva que mantém o samba vivo no coração do Distrito Federal.


Folha do Guará: Como foi seu primeiro contato com o samba e o que te motivou a seguir esse caminho?

Mário Santos: Meu primeiro contato com o samba veio ainda na infância, dentro de casa e nas rodas de bairro. O som do pandeiro, do cavaquinho e da batucada sempre me chamou atenção. O que me motivou foi a paixão mesmo — o samba me escolheu antes mesmo de eu entender isso.

Folha do Guará: De que forma o ambiente em que você cresceu influenciou sua relação com a música?

Mário Santos: Cresci em um ambiente simples, mas muito rico culturalmente. Sempre teve música, festa, roda de samba. Isso me formou não só como músico, mas como pessoa.

Folha do Guará: Como a experiência como percussionista contribuiu para sua identidade musical?

Mário Santos: A percussão é a alma do samba. Comecei nela e isso me deu base rítmica forte. Até hoje, mesmo compondo, penso muito no ritmo antes de tudo.

Folha do Guará: Em que momento você percebeu que o samba se tornaria sua profissão?

Mário Santos: Quando vi que não conseguia mais viver sem ele. Quando comecei a ser chamado para tocar, ensinar e compor, entendi que aquilo era meu caminho.

Folha do Guará: Quais foram os principais desafios ao longo da sua trajetória no samba?

Mário Santos: Falta de apoio, pouco reconhecimento e dificuldade de estrutura, principalmente aqui no DF. Mas a resistência sempre fez parte do samba.

Folha do Guará: Como se desenvolveu sua caminhada como compositor?

Mário Santos: Comecei escrevendo coisas simples, do dia a dia. Com o tempo fui amadurecendo, ouvindo mais, estudando e vivendo — isso fez minhas composições crescerem.

Folha do Guará: Quais são suas principais referências musicais e culturais?

Mário Santos: Minhas referências vêm do samba raiz, dos grandes mestres, mas também da cultura popular, da vivência das comunidades e da realidade do povo.

Folha do Guará: Como funciona seu processo criativo na composição de um samba?

Mário Santos: Às vezes vem pela melodia, às vezes pela letra. Pode surgir de uma conversa, de uma história ou de um sentimento. Eu deixo fluir.

Folha do Guará: De que forma suas letras dialogam com a cultura popular e a realidade das comunidades?

Mário Santos: Eu falo do que vivo e vejo. Minhas letras são reflexo da comunidade, da luta, da alegria e da resistência do povo.

Folha do Guará: O que te motivou a atuar também como professor de música?

Mário Santos: A vontade de passar adiante o que aprendi. A música salvou muita coisa na minha vida, e eu acredito que pode salvar outras também.

Folha do Guará: Qual a importância da educação musical na formação de novos talentos?

Mário Santos: É fundamental. A música educa, disciplina e abre caminhos. Muitos talentos só precisam de oportunidade.

Folha do Guará: Quais desafios você enfrenta no ensino da música dentro do contexto do samba?

Mário Santos: Falta de incentivo, estrutura e valorização. Muitas vezes isso dificulta o acesso de quem mais precisa.

Folha do Guará: Como você define seu papel como presidente da Escola de Samba Lobo Guará?

Mário Santos: É uma responsabilidade grande. Eu me vejo como alguém que luta pela escola, pela cultura e pela comunidade.

Folha do Guará: Quais são os principais desafios na gestão de uma escola de samba no Distrito Federal?

Mário Santos: Falta de investimento, apoio público e reconhecimento. Manter a escola ativa o ano todo é um desafio enorme.

Folha do Guará: Como a Lobo Guará atua além do carnaval no desenvolvimento da comunidade?

Mário Santos: A gente trabalha com projetos sociais, ensaios abertos, formação musical e integração da comunidade.

Folha do Guará: Qual o papel das escolas de samba na construção cultural de Brasília?

Mário Santos: As escolas são resistência cultural. Elas mantêm viva a identidade popular dentro de Brasília.

Folha do Guará: Você acredita que o samba no DF recebe o reconhecimento necessário?

Mário Santos: Ainda não. Tem muito a crescer, mas a luta continua.

Folha do Guará: Como você avalia o cenário atual do carnaval em Brasília?

Mário Santos: Está em crescimento, mas ainda precisa de mais organização, investimento e valorização das escolas.

Folha do Guará: Como você enxerga o futuro do samba e das escolas de samba no Distrito Federal?

Mário Santos: Com esperança. Se houver mais apoio, o samba daqui pode crescer muito.

Folha do Guará: O que o samba representa na sua vida hoje?

Mário Santos: Tudo. É minha história, minha identidade e minha missão.

Folha do Guará: Como está sendo o processo de preparação da Lobo Guará para o próximo carnaval?

Mário Santos: Com muita dedicação, esforço e união da comunidade. Estamos trabalhando firme.

Folha do Guará: Qual é o enredo deste ano e quais mensagens a escola pretende levar para a avenida?

Mário Santos: Nosso enredo traz uma mensagem de resistência, cultura e valorização das nossas raízes.

Folha do Guará: Quais são os principais desafios enfrentados pela Lobo Guará na construção do desfile?

Mário Santos: Recursos financeiros e estrutura. Mas a vontade de fazer acontecer supera tudo.

Folha do Guará: Como a comunidade participa da construção do carnaval da escola?

Mário Santos: A comunidade é a base de tudo. Participa nos ensaios, na confecção, na organização — é um trabalho coletivo.

Folha do Guará: O que o público pode esperar da Lobo Guará na avenida neste ano?

Mário Santos: Pode esperar garra, emoção e um desfile feito com o coração. A Lobo Guará vem forte! 

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