O Guará recebeu, na manhã do último sábado (18), mais uma edição da Caminhada Contra o Feminicídio, promovida pelo movimento Mulheres em Movimento Contra o Feminicídio. A mobilização reuniu mulheres, homens, famílias, lideranças comunitárias e apoiadores em um ato de conscientização e defesa da vida das mulheres, reforçando a importância do combate à violência de gênero e do fortalecimento das redes de apoio às vítimas.
Idealizado por uma sobrevivente de uma tentativa de feminicídio, o movimento tem percorrido diversas regiões administrativas do Distrito Federal, promovendo ações de conscientização, acolhimento e mobilização social em defesa das mulheres.
A concentração aconteceu no estacionamento do Mac Donald's do Guará I, onde os participantes foram recepcionados com um café da manhã antes do início da caminhada. Em seguida, o grupo partiu em direção à Casa da Cultura do Guará, percorrendo um trajeto que passou pelo comércio da QI 07 e seguiu pela Avenida Contorno, passando em frente à tradicional Feira do Guará.
Ao chegarem à Casa da Cultura, os participantes realizaram o retorno pelo mesmo percurso, novamente pela Avenida Contorno, encerrando a mobilização no estacionamento do MacDonald's, local onde a atividade havia começado.
Durante todo o trajeto, os participantes levaram mensagens de conscientização sobre a prevenção ao feminicídio e a necessidade de combater todas as formas de violência contra a mulher. A caminhada também reforçou a importância da união da sociedade na construção de uma cultura baseada no respeito, na igualdade e na proteção da vida.
Uma das coordenadoras do movimento, Paula Freitas, destacou que sua experiência de dez anos de atuação no Ligue 180 mostrou a gravidade da violência enfrentada diariamente por milhares de mulheres. "Trabalhei durante dez anos no Ligue 180, atendendo mulheres de todo o país e até do exterior. Vivenciei histórias muito difíceis, inclusive de mulheres em situação de cárcere privado. O feminicídio representa a última etapa de um ciclo de violência que pode ser interrompido quando os primeiros sinais são identificados. O ciúme excessivo, os pedidos de perdão acompanhados da promessa de mudança e outras formas de controle fazem parte desse ciclo. É fundamental que as mulheres estejam atentas e busquem ajuda pelo Ligue 180."
Paula também lembrou que a Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/2006) reconhece diferentes formas de violência contra a mulher — física, psicológica, moral, sexual e patrimonial — e defendeu o fortalecimento das políticas públicas voltadas à proteção das vítimas.
A idealizadora do movimento, Jéssica Cytrus, avaliou de forma positiva a mobilização realizada no Guará e ressaltou que a caminhada integrou um circuito de ações que vem percorrendo as regiões administrativas com maiores índices de feminicídio. "A caminhada do Guará foi a sétima realizada pelo grupo. Estamos quase concluindo esse ciclo de mobilizações nas cidades que registram os maiores índices de feminicídio. Tivemos a participação de aproximadamente 100 mulheres que acordaram cedo, deixaram suas casas e sua zona de conforto para caminhar em defesa da vida e no combate ao feminicídio."
Segundo Jéssica, um dos aspectos mais marcantes da mobilização foi o espírito de união entre as participantes, que durante todo o percurso entoaram mensagens de incentivo e conscientização. "Foi uma caminhada muito bonita. As mulheres demonstraram muita união durante todo o percurso. Reforçamos mensagens de apoio, lembrando que mulheres unidas jamais serão vencidas e que todas merecem viver sem violência. Também incentivamos aquelas que vivem relacionamentos abusivos a denunciarem e buscarem ajuda antes que a violência chegue ao seu desfecho mais trágico."
Entre as participantes, Maria Aparecida, moradora do Guará II, destacou que o evento fortaleceu a esperança de muitas mulheres que ainda enfrentam situações de violência. "Participei porque acredito que o silêncio nunca pode vencer. Muitas mulheres ainda sofrem violência dentro de casa e têm medo de denunciar. Caminhadas como essa mostram que elas não estão sozinhas e que existe uma rede de apoio pronta para acolhê-las. Espero que essa mensagem alcance quem mais precisa."
Já Patrícia Oliveira, moradora da QI 07, ressaltou a importância do envolvimento de toda a sociedade. "Quando ocupamos as ruas por uma causa tão importante, mostramos que toda a sociedade precisa se envolver. Não basta apenas as mulheres lutarem. Precisamos da participação dos homens, das famílias e do poder público para que o feminicídio seja prevenido e cada mulher tenha o direito de viver em segurança e com dignidade."
Para Ana Cláudia Rodrigues, moradora do Guará I, a informação é uma das principais ferramentas para romper o ciclo da violência. "Muitas mulheres não percebem que estão vivendo um relacionamento abusivo porque a violência nem sempre deixa marcas físicas. Estar aqui é uma forma de levar informação, incentivar a denúncia e mostrar que existe apoio para quem decide romper esse ciclo."
A participante Sandra Pereira afirmou que a mobilização representou um gesto de solidariedade e resistência. "Cada mulher que participou desta caminhada representa muitas outras que ainda não conseguem pedir ajuda. Caminhar pelas ruas do Guará foi uma forma de dizer que a violência contra a mulher não pode ser tratada como algo normal. Precisamos falar sobre o assunto, apoiar as vítimas e cobrar políticas públicas cada vez mais eficazes para protegê-las."
Ao final da caminhada, a organização reafirmou que a mobilização vai muito além da prática esportiva. A iniciativa reforçou o compromisso de ampliar a conscientização sobre a violência de gênero, fortalecer as redes de apoio às vítimas e mobilizar toda a sociedade para que o feminicídio seja prevenido por meio da informação, da denúncia e de políticas públicas eficazes de proteção às mulheres.






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