Ciclo de palestras sobre o Cerrado movimenta CLDF e conta com participação da guaraense Simone Vaz

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) realiza, entre os dias 15 e 25 de setembro, um ciclo de palestras voltado à preservação do Cerrado, em paralelo à exposição Recortes do Cerrado – Ezechias Heringer, aberta no Espaço Cultural Athos Bulcão. Os encontros, sempre das 19h às 20h na Sala das Comissões, reúnem especialistas, gestores e representantes de instituições como o Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU/DF), o Instituto Brasília Ambiental (Ibram) e veículos de imprensa, em uma programação que marca o mês do Dia Nacional do Cerrado (11/9).

Entre os destaques, está a palestra da guaraense Simone Vaz, que acontece nesta quarta-feira (17), às 19h, com o tema Tempo de Plantar: Ação Comunitária pela Regeneração do Cerrado. Coordenadora do Comitê Guará do Movimento Regenerativo Tempo de Plantar, Simone compartilha sua experiência em projetos de voluntariado ambiental que têm transformado áreas degradadas da cidade em espaços de reflorestamento e educação socioambiental. “A Hiromi fez uma homenagem Brasil e Japão, mostrando como pode haver união na arte com a regeneração do Cerrado. Ela me convidou para participar do livro da mostra trazendo meu trabalho no voluntariado, e isso é uma honra”, destacou.

Quelvia Heringer, filha de Ezechias Heringer, muito feliz com a realização do projeto recorda com emoção os tempos áureos do atual Parque Ecológico do Guará: “Em 1961, o local, que ainda era o acampamento da Zoobotânica, tinha um frescor de madrugada que eu sentia ao me levantar para ir ao Ginásio Brasília. Íamos vestidos com capotes pesados, azul-escuro, de lã de carneiro, e sapatos da marca Vulcabras, resistentes e duradouros. Eu sempre procurava minhas luvas para enfrentar o frio. Ao sair de casa para pegar o jipe, via as brumas ao longe, as folhas das árvores cobertas de gelo e o ar gelado formando nuvens de fumaça quando exalava. A terra era pura, úmida, nunca antes pisada por homens ou animais, e dela brotavam orquídeas terrestres jamais vistas. O córrego quase não era visível.

Em outra estação, surgia o fogo, mas nunca de forma devastadora; aparecia ao longe, baixo, ajudando a entortar os troncos e a formar a casca grossa das árvores do Cerrado. Assim, a natureza do Parque seguia seu próprio curso, intocada. Hoje, porém, o Parque enfrenta a pressão humana e a destruição pelo fogo. Precisamos nos unir para preservá-lo. Há boas notícias: está em andamento o anteprojeto do Museu Engenheiro Agrônomo Ezechias Heringer, ainda em fase de aprovação, junto com o Instituto Memorial Parque Ezechias. Peço o apoio de todos para que esses planos se concretizem. Salve Ezechias! Salve a nossa natureza!”, concluiu Quelvia.

O ciclo de debates integra o projeto “Recortes do Cerrado – Ezechias Heringer”, que homenageia o engenheiro agrônomo e ambientalista pioneiro na conservação do bioma, e inclui ainda o lançamento de um livro sobre a iniciativa. A publicação reúne artigos, registros e depoimentos de pessoas envolvidas nas ações, entre elas Simone Vaz, reforçando o elo entre comunidade, arte e sustentabilidade.

Paralelamente, segue aberta ao público até 26 de setembro a Exposição Recortes do Cerrado, realizada pelo Instituto Sumi-e Brasil com apoio da Lei Federal de Incentivo à Cultura. As obras estabelecem um diálogo entre a técnica japonesa de pintura Sumi-e e a flora do Cerrado, recriando em traços econômicos e contemplativos espécies como a colestenia, o taquari, a caliandra e a cagaiteira. A visitação pode ser feita de segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, no Espaço Cultural Athos Bulcão, no Foyer do Plenário da CLDF, com entrada gratuita.

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