Ibaneis veio à Feira do Guará e prometeu acabar com a novela. Será?


A visita do governador Ibaneis Rocha à Feira do Guará, neste domingo (21), reacendeu o debate sobre a disputa que há meses corrói a gestão de um dos principais espaços de comércio popular do Distrito Federal. O governador prometeu dar fim à “novela” que divide feirantes e fragiliza a administração do local. Mas a pergunta que ecoa entre os corredores é: até que ponto o governo está disposto a enfrentar a crise que envolve servidores públicos e denúncias formais na Justiça?

A Ascofeg e a sentença ignorada

A Associação do Comércio Varejista dos Feirantes do Guará (Ascofeg) tem mais de 20 anos de história e detém uma sentença judicial transitada em julgado que a reconhece como legítima representante dos feirantes. Foi a Ascofeg quem assumiu, ao longo dos anos, a folha de pagamento e a manutenção de 27 trabalhadores responsáveis pela limpeza e segurança da feira.

Apesar desse respaldo legal e histórico, a Subsecretaria de Mobiliário Urbano e Apoio às Cidades (Sumac) e a Administração Regional do Guará, por meio do Comitê Gestor da Feira , criou as condições para que uma nova associação fosse registrada. Essa entidade, que não apresenta funcionários e  nem estrutura de apoio, passou a disputar a arrecadação e a gestão do espaço, aumentando a confusão e a insegurança jurídica.

O papel dos servidores

O impasse ganhou contornos mais graves quando denúncias passaram a apontar a participação direta de servidores públicos no processo. O gerente de feiras da Administração Regional do Guará, Thiago Falconi, é citado por feirantes como o responsável por orientar comerciantes a pagar taxas ora para a Ascofeg, ora para a nova associação, gerando contradições e insegurança.

Já a Sumac, ligada à Secretaria das Cidades, é acusada de omitir ofícios protocolados pela Ascofeg, que cobravam esclarecimentos sobre a legalidade do processo. Apesar de haver comprovantes de entrega, a subsecretaria afirma que não possui registro desses documentos, levantando suspeitas de apagamento intencional de provas.

Boletim de ocorrência e denúncia criminal

A situação chegou à Polícia Civil. O advogado da Ascofeg, Antônio Poli Navega, registrou boletim de ocorrência denunciando falsidade ideológica e abuso de autoridade contra agentes públicos envolvidos no caso. A denúncia agora integra a disputa judicial, ampliando a pressão sobre a Administração do Guará e sobre o Comitê Gestor.

Ibaneis pressionado

Na feira, Ibaneis Rocha foi cobrado diretamente por representantes da Ascofeg e por feirantes. Eles pediram o cancelamento dos atos administrativos que deram origem à nova associação e a reafirmação da legitimidade da Ascofeg. O governador prometeu “resolver o problema”, mas sem detalhar medidas concretas ou prazos.

Enquanto a solução não chega, a Feira do Guará permanece em um limbo institucional. O conflito não é apenas entre duas associações: envolve a atuação de servidores públicos, denúncias criminais e o descumprimento de decisões judiciais. A grande questão é se o governo terá coragem de enfrentar interesses internos e colocar fim a uma crise que já ameaça a identidade e o futuro da feira.

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  1. Ele foi muito claro, falou que ia nos ajudar!
    Nós deixamos claro que não queremos uma associação de inadimplentes!
    Contamos com vc governador!

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