O Teatro de Arena do Guará é, por essência, um espaço público e plural — deve estar aberto a todas as expressões culturais e religiosas. Missa, gira, culto, show, peça ou espetáculo circense, tudo cabe ali. O que não cabe é o uso político, seletivo ou exclusivo de um espaço que pertence à comunidade.
É curioso ver lideranças reclamando que o Teatro não pode sediar uma missa. Pode, sim — desde que o mesmo respeito e oportunidade sejam garantidos a todas as religiões e manifestações artísticas. O problema nunca foi a celebração, e sim o tratamento desigual de outrora em que toda a estrutura da Administração era direcionada para apenas um segmento religioso.
Mais preocupante é o abandono disfarçado de reforma. Apesar dos R$ 600 mil investidos por meio de emenda parlamentar da deputada Dayse Amarilio, o Teatro de Arena segue com alambrados enferrujados, partes já furadas e estruturas comprometidas. Uma maquiagem cara que não resolveu o essencial — e que levanta uma pergunta inevitável: onde exatamente esse dinheiro foi aplicado?
A Administração Regional do Guará precisa e deve prestar contas sobre a utilização desses recursos. Afinal, o espaço só ganha vida quando recebe projetos de terceiros, via FAC ou outras emendas parlamentares. Fora isso, o palco fica entregue ao tempo — sem manutenção, sem agenda cultural própria e sem políticas públicas de valorização dos artistas locais.
O Teatro de Arena é um símbolo da cultura guaraense, mas tem sido tratado como figurante no próprio território. Falta transparência, gestão e, principalmente, vontade política. Até que isso mude, continuará sendo apenas um palco bonito de longe — e enferrujado de perto.


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