O assassinato que transformou o Parque Ecológico Ezechias Heringer, no Guará, em símbolo de violência extrema completa um ano nesta terça-feira (13/1) sem condenação definitiva dos responsáveis. Em 13 de janeiro de 2025, Thalita Marques Berquó Ramos, 36 anos, foi morta e esquartejada dentro da unidade de conservação, em um crime que chocou o Distrito Federal e expôs, de forma contundente, a fragilidade da presença do Estado em áreas públicas da cidade.
O parque, que deveria cumprir funções ambientais, esportivas e comunitárias, acabou associado a um cenário de abandono, ocupações irregulares e ausência de fiscalização. Foi nesse contexto que ocorreu o crime: Thalita teve a cabeça e as pernas arrancadas e descartadas em um córrego dentro do parque, enquanto o tronco foi enterrado na área verde. Dias depois, partes do corpo foram localizadas na Estação de Tratamento de Esgoto da Caesb, no Setor de Clubes Esportivos Sul, evidenciando a gravidade da violência iniciada no Parque do Guará.
Passados doze meses, o avanço do calendário contrasta com a lentidão da resposta judicial. Para a família da vítima, a dor permanece aberta, agravada pela sensação de impunidade. “Há um ano, minha sobrinha foi brutalmente assassinada, e seguimos aguardando que a justiça cumpra seu papel”, afirmou Gláucia Berquó, tia de Thalita.
As investigações da Polícia Civil do Distrito Federal apontaram que, no dia do crime, Thalita esteve em uma invasão dentro do parque para comprar drogas. Após um desentendimento, ela teria sido morta por João Paulo Teixeira da Silva e dois adolescentes. João Paulo está preso desde março de 2025 e responde por homicídio qualificado, ocultação de cadáver e corrupção de menores. O julgamento pelo Tribunal do Júri está previsto para março deste ano. Os adolescentes respondem por ato infracional análogo a homicídio e ocultação de cadáver; um deles recebeu regime de semiliberdade, decisão que gerou forte indignação entre familiares e amigos da vítima.
Além da dimensão criminal, o caso reacende o debate sobre a situação do Parque Ecológico do Guará. Mesmo sendo uma área de proteção ambiental, o espaço convive há anos com degradação, falta de políticas permanentes de segurança, vulnerabilidade social e abandono institucional. Para moradores e frequentadores, o crime não foi um fato isolado, mas consequência direta da negligência contínua com o território.
Como forma de preservar a memória de Thalita e cobrar justiça, a família organiza nesta terça-feira uma homenagem no Bosque da Memória, em Águas Claras. O ato simboliza não apenas o luto, mas também a exigência de responsabilização e de mudanças concretas para que espaços públicos deixem de ser tratados como áreas esquecidas pelo poder público.
Um ano depois, o Parque do Guará segue marcado não apenas pela tragédia que ali ocorreu, mas pela ausência de respostas efetivas. A pergunta que permanece é se a cidade será capaz de transformar memória e indignação em justiça e ação concreta — ou se o crime será apenas mais um capítulo doloroso da longa história de abandono dos espaços públicos do Distrito Federal.


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