Folha do Guará

Maquiagem da Praça da QI 20 já apresenta problemas

A chamada Revitalização da Praça da QI 20, no Guará I, não resistiu ao primeiro teste de realidade. Bastou o tempo passar — e uma ventania soprar — para que a maquiagem administrativa escorresse, revelando aquilo que moradores denunciam há meses: improviso, descaso e propaganda oficial muito distante do chão da praça.

No papel e nos vídeos divulgados pela Administração Regional, a QI 20 virou vitrine de gestão. Pintura, acessibilidade, manutenção de parquinhos, quadra, calçadas, roçagem, podagem e até escuta ativa da comunidade. Um pacote completo de promessas embaladas em discurso otimista, com direito a agradecimentos ao governador, à vice-governadora e ao “padrinho da cidade”. Na prática, porém, o cenário é outro — e bem menos colorido.

A reforma do parquinho infantil é um exemplo didático de como não se faz política pública. Segundo relatos de moradores, a empresa contratada simplesmente capinou por cima do problema e espalhou uma quantidade irrisória de areia. O resultado? Mato brotando entre os brinquedos, formigueiros se multiplicando e crianças brincando em um espaço que deveria ser seguro, mas virou terreno mal cuidado. Veneno até foi colocado, mas as formigas continuam lá, firmes, como se fossem parte permanente do projeto.

A precariedade não para por aí. Um brinquedo do tipo gira-gira chegou a ser levado até a praça, gerando expectativa nas crianças, que acreditaram, ingenuamente, que finalmente teriam um equipamento novo. A ilusão durou pouco: o brinquedo foi retirado e instalado na Praça da QI 07. Para a QI 20, restaram duas gangorras e dois escorregadores. O pedido de troca — justo e simples — segue sem qualquer resposta da Administração. Silêncio absoluto.

Se a maquiagem estética já descasca rápido, a negligência com a segurança é ainda mais grave. Após a ventania da última semana, um galho de uma árvore do tipo jamelão caiu sobre os bancos da praça, danificando três deles. Por sorte, não havia ninguém sentado. Por azar — ou irresponsabilidade —, essa queda era anunciada. Desde novembro, moradores solicitam poda das árvores. Houve, inclusive, pedido formal de visita técnica após a constatação de que uma das árvores parecia oca. Foi exatamente dessa árvore que o galho despencou.

A pergunta que ecoa entre os blocos P, H e O é simples e incômoda: e se tivesse caído sobre uma pessoa? Quem responderia? Quem assumiria a responsabilidade? Certamente não os vídeos institucionais, nem os discursos ensaiados. Os bancos, arrumados há poucos dias, já estão danificados. A praça, “revitalizada”, volta a acumular problemas estruturais. E a comunidade, mais uma vez, fica refém da burocracia.

Não por falta de aviso. As ouvidorias se acumulam: novembro de 2025, janeiro de 2026, fevereiro de 2026. Protocolos existem, números também. O que não existe é solução. A Administração foi avisada, cobrada e acionada repetidas vezes. Ainda assim, a resposta concreta não veio.

Enquanto isso, o vídeo do administrador segue circulando nas redes, anunciando uma administração “presente” e uma praça “revitalizada”. A realidade, porém, desmente o marketing. O que se vê na QI 20 não é revitalização, é remendo. Não é cuidado, é encenação. Não é política pública, é maquiagem — daquelas que borram ao primeiro sinal de vento.

A Praça da QI 20 não precisa de mais discursos, likes ou agradecimentos protocolares. Precisa de manutenção de verdade, de respeito aos moradores e, sobretudo, de responsabilidade. Porque praça não é cenário de campanha permanente. É espaço de convivência, lazer e segurança. E, hoje, infelizmente, a da QI 20 segue longe disso.

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