Folha do Guará

Guará perde um de seus maiores pioneiros: morre aos 104 anos Antonio Villela, fundador do Centro Espírita André Luiz

Fundador do Centro Espírita André Luiz (CEAL), primeiro centro espírita do Distrito Federal e há décadas sediado no Guará, Antonio Villela deixa um legado de fé, solidariedade e serviço ao próximo que marcou profundamente a história da cidade e de Brasília.

O Guará amanheceu de luto com a notícia da morte de um de seus personagens mais emblemáticos. Faleceu nesta terça-feira (30), aos 104 anos, Antonio Villela, fundador do Centro Espírita André Luiz (CEAL), instituição localizada na QI 16 do Guará e reconhecida como o primeiro centro espírita do Distrito Federal. A notícia foi divulgada pela família nas redes sociais, apenas 20 dias após ele completar 104 anos de vida.

Até o momento, a causa da morte não foi divulgada, assim como as informações sobre velório e sepultamento.

Mais do que fundador de uma instituição religiosa, Antonio Villela foi um dos pioneiros de Brasília e uma das figuras mais importantes da história do movimento espírita no Distrito Federal. Sua trajetória se confunde com a própria construção da capital federal e com o desenvolvimento de uma das entidades filantrópicas mais respeitadas da região.

Antonio Villela chegou ao Distrito Federal em 1959, antes mesmo da inauguração oficial de Brasília. Servidor do antigo Tribunal Federal de Recursos (TFR), integrou a comissão encarregada de implantar os serviços judiciários da nova capital. No ano seguinte, em 1960, foi convocado definitivamente para trabalhar em Brasília, trazendo consigo toda a família e iniciando uma trajetória que uniria serviço público, espiritualidade e dedicação à comunidade.

Também em outubro de 1960, participou da fundação do Centro Espírita André Luiz (CEAL), que nasceu na Candangolândia como o primeiro centro espírita do Distrito Federal. Alguns anos depois, a instituição adquiriu um terreno na QI 16 do Guará, onde estabeleceu sua sede definitiva e passou a construir uma história que se tornou inseparável da própria cidade.

Foi no Guará que o CEAL consolidou sua identidade e ampliou sua missão. Ao longo de mais de seis décadas, transformou-se em uma referência para o Distrito Federal, desenvolvendo atividades religiosas, evangelização, estudos doutrinários e um amplo trabalho social voltado às famílias em situação de vulnerabilidade. Milhares de pessoas passaram pela instituição em busca de acolhimento, orientação espiritual e apoio, tornando o Centro Espírita André Luiz um dos maiores patrimônios religiosos e comunitários do Guará.

Antonio Villela dedicou grande parte de sua vida ao fortalecimento dessa missão. Exerceu a presidência da instituição e, posteriormente, tornou-se presidente do Conselho Deliberativo, sendo reconhecido por trabalhadores, dirigentes e frequentadores como um símbolo de perseverança, humildade, dedicação e fé. Sua liderança foi decisiva para consolidar o CEAL como uma instituição comprometida não apenas com a divulgação da doutrina espírita, mas também com a promoção da solidariedade, da fraternidade e da assistência social.

Sua missão, entretanto, ultrapassou os limites do Guará e do Distrito Federal. Em 1961, fundou o Centro Espírita Emmanuel, no Gama Oeste, contribuindo para a expansão do movimento espírita na região. Também foi fundador do Centro Espírita Gregório Estêvão, em Barra da Pedra, no estado do Rio de Janeiro, ampliando seu trabalho de evangelização e assistência ao próximo.

Ao longo de sua vida, Antonio Villela conciliou a atuação no serviço público com um intenso trabalho voluntário. Sua dedicação à construção de Brasília e sua contribuição ao Poder Judiciário foram reconhecidas pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que prestou uma homenagem especial ao pioneiro quando ele completou 100 anos de idade, destacando sua extraordinária trajetória marcada pelo espírito público, pela ética, pela perseverança e pelo compromisso com a sociedade.

Embora seu legado alcance diversas regiões do país, é no Guará que sua presença se tornou mais marcante. A cidade acolheu a sede definitiva do Centro Espírita André Luiz e acompanhou o crescimento de uma instituição que, ao longo das décadas, tornou-se referência em acolhimento espiritual, ações beneficentes, educação moral e assistência às famílias, fazendo parte da história de milhares de moradores.

Com a morte de Antonio Villela, o Guará perde não apenas um de seus pioneiros, mas uma das personalidades que mais contribuíram para fortalecer os valores da solidariedade, da fraternidade e do serviço ao próximo. Sua obra permanece viva nas atividades do CEAL, nas instituições que ajudou a fundar e, sobretudo, na memória daqueles que encontraram, por meio de seu exemplo, inspiração para construir uma sociedade mais humana e fraterna.

Mais do que um líder espírita, Antonio Villela deixa um legado que atravessa gerações. Sua história se confunde com a história de Brasília, do Guará e do próprio Centro Espírita André Luiz, instituição que ajudou a transformar em um símbolo de acolhimento, esperança e amor ao próximo, perpetuando valores que continuarão inspirando a comunidade por muitos anos.

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