No Conjunto E da QE 15, no Guará II, uma celebração comunitária vem reafirmando o valor da convivência entre vizinhos e a força das relações construídas no cotidiano das ruas. Ocorrida no último sábado, 20 de junho, a iniciativa, já incorporada ao calendário informal da comunidade, transforma o espaço público em ambiente de encontro, memória e pertencimento coletivo.
A amiga dos moradores Sol Rocha destacou a importância do momento ao celebrar a permanência dessa tradição entre os vizinhos, ressaltando o clima de integração que marca a confraternização. “Muito satisfeita de estarmos presentes hoje na rua do nosso amigo Vítor Iglesias. O casal que mudou tá completando um ano de rua nova, mas já conseguiu agregar os vizinhos para fazer um evento gostoso em família”, afirmou. Segundo ela, a ocupação afetiva da rua representa mais do que lazer: é a expressão de uma vizinhança ativa e solidária.
O evento reúne moradores de diferentes idades em um ambiente de convivência espontânea, onde cada família contribui de forma colaborativa. “Todos saíram da sua casa, vieram para o meio da rua, trouxeram suas contribuições e fizeram uma grande confraternização coletiva. Até quase meia-noite, todo mundo ainda está aqui, sentado, curtindo essa noite com fogueira, som, família e crianças brincando na rua”, relatou Sol Rocha.
Para o anfitrião Vítor Iglesias, a iniciativa já se consolidou como parte da identidade local. Ele lembrou que a tradição nasce do próprio vínculo entre os moradores da QE 15. “Essa festa aqui já é tradição do nosso conjunto. Nasceu aqui na QE 15, no Guará. Todo mundo já estudou aqui no Centrão. É uma confraternização, um rito da comunidade”, destacou.
A participação de diferentes gerações também chama atenção. Segundo relatos dos próprios moradores, o evento reúne desde crianças até idosos, incluindo pessoas que ajudaram a construir a história do conjunto e outras que já partiram, reforçando o caráter simbólico de continuidade e memória coletiva.
O morador Juninho do Lava Jato sintetizou o sentimento de pertencimento que marca a celebração. “Aqui tem o pessoal da terceira idade, crianças, adolescentes e adultos. Enfim, é uma confraternização e é um rito aqui da QE 15”, afirmou, destacando que o encontro representa mais do que uma festa: é um espaço de reconhecimento e valorização da história local.
A presença de lideranças e moradores também reforça o significado do encontro. A articuladora comunitária Gleiça Lobato destacou o caráter coletivo da iniciativa e a importância da ocupação afetiva do espaço urbano:
“É muito bonito ver o Conjunto E da QE 15 transformando a rua em espaço de convivência e pertencimento. Aqui a gente não está falando apenas de uma festa, mas de uma construção coletiva de vizinhança, onde cada família contribui, compartilha e fortalece os laços comunitários. Isso é cultura viva, é memória afetiva e é também resistência urbana: ocupar a rua com respeito, alegria e solidariedade é manter o Guará pulsando a partir das suas próprias raízes.”
Mais do que um evento festivo, o Arraial do Conjunto E da QE 15 evidencia a potência das iniciativas comunitárias espontâneas no fortalecimento do tecido social urbano. Em meio à rotina acelerada da cidade, a ocupação coletiva da rua reafirma o Guará como território de convivência, memória e identidade cultural viva.







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