A comunidade do Guará segue mobilizada diante da ameaça — ainda que momentaneamente recuada — de utilização do patrimônio público da cidade para cobrir dívidas e prejuízos acumulados pelo Banco de Brasília. Mesmo após a retirada das áreas do parque das discussões imediatas, moradores afirmam que a luta continua, pois não há confiança na condução política e administrativa do Governo do Distrito Federal.
O temor da população se apoia em um histórico recente marcado por escândalos, decisões questionáveis e falta de transparência envolvendo o banco público. Para a comunidade, é inaceitável que erros de gestão e eventuais irregularidades sejam compensados com a entrega de bens que pertencem a todos e cumprem função social, ambiental e cultural. O recuo, avaliam, pode ser apenas circunstancial — uma resposta à pressão popular, não uma garantia definitiva de proteção ao patrimônio coletivo.
Sob o lema “O Guará é Nosso — O Parque do Também é Nosso”, o movimento reforça que dívidas devem ser pagas por quem as contraiu, não pela população. A mobilização extrapola a defesa de um parque específico e se transforma em um alerta permanente contra a tentativa de socializar prejuízos enquanto se preservam os responsáveis pelo rombo.
O debate público acontece no dia 3 de março, às 19h, no Auditório da Administração Regional do Guará. Aberto a todos os moradores, o encontro reafirma um princípio central: sem confiança, não há trégua — e no Guará, a voz da população não é detalhe, é lei.
Segundo a comissão de moradores que organiza o debate, o encontro é fundamental porque a população não confia na atual condução do Governo do Distrito Federal nem em parte significativa dos deputados distritais — sobretudo aqueles que aprovaram, a toque de caixa, a compra do Banco Master pelo Banco de Brasília. Para os organizadores, trata-se de um governo marcado por decisões apressadas, falta de transparência e discursos que não se sustentam na prática. Um governo que promete proteção ao interesse público, mas age na contramão da verdade.


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