Esgoto a céu aberto, moradores sitiados pelo mau cheiro e silêncio institucional: o cotidiano entre a QI 09 e a QI 05 do Guará

O que começou após uma chuva rapidamente se transformou em um problema estrutural ignorado. Desde “antes de ontem”, segundo relatos convergentes de comerciantes e moradores, o esgoto passou a transbordar no trecho que se inicia no conjunto F da QI 09, exatamente em frente à pista que divide a QI 09 da QI 05, espalhando mau cheiro, sujeira e indignação por toda a área.

No primeiro dia, o odor. No segundo, o transbordamento contínuo durante todo o dia. Na manhã seguinte, o retorno do vazamento. Um ciclo repetitivo que escancara não apenas uma falha no sistema de saneamento, mas a completa ausência de resposta do poder público diante de um problema que afeta moradia, comércio e saúde.

“A gente acorda com o cheiro dentro de casa”

Moradores da QI 09 relatam que o impacto não se limita à área externa. O mau cheiro invade residências, impede a abertura de janelas e transforma tarefas simples em experiências insuportáveis.

“A gente acorda com esse cheiro forte dentro de casa. Não dá pra abrir a janela, não dá pra ficar tranquilo. Parece que o esgoto faz parte da rotina agora”, relata uma moradora do conjunto F da QI 09.

Outro morador aponta que o problema não é novo, apenas se agravou: “Sempre teve problema ali, mas agora passou do limite. Transborda, espalha, fica dias assim e ninguém aparece. Parece que estão esperando virar normal.”

Entre o comércio e as casas, ninguém escapa

Na QI 05, onde o esgoto avança em direção à área comercial, o incômodo se soma ao prejuízo econômico. Mas os moradores da quadra também sentem os efeitos diretos. “O cheiro fica o dia inteiro. Quem mora aqui não consegue almoçar em paz, não consegue receber visita. É constrangedor”, afirma um morador da QI 05.

A proximidade entre residências e estabelecimentos faz com que o problema seja compartilhado por todos — exceto por quem deveria resolvê-lo.

Comerciantes resistem, moradores suportam, o Estado se ausenta

Cíntia, comerciante da padaria no bloco B da QI 05, já havia relatado as reclamações constantes dos clientes. Agora, soma-se a percepção dos moradores, que confirmam o esvaziamento do espaço público.

“As pessoas passam, sentem o cheiro e vão embora. Não ficam, não sentam. Isso afeta todo mundo aqui”, reforça.

Ronildo, da Top Embalagem, também na QI 05, resume o sentimento coletivo: “A gente liga, reclama desde o primeiro dia, e nada. Três dias já desse jeito. Se fosse a gente causando problema, a cobrança vinha rápida. Mas quando é o contrário, ninguém aparece.”

O problema técnico é grave — o problema institucional é maior

O vazamento começa na QI 09, atinge a via divisória e se espalha pela QI 05. Trata-se de uma falha objetiva de infraestrutura, mas também de uma falha administrativa clara: o problema é conhecido, registrado, reiterado e ignorado.

Não há sinalização, não há intervenção emergencial, não há resposta aos chamados. O esgoto corre livremente enquanto moradores e comerciantes se adaptam, não por escolha, mas por falta de alternativa.

Quando reclamar vira rotina e a solução nunca chega

O cenário descrito por moradores e comerciantes revela algo ainda mais grave que o mau cheiro: a normalização do abandono. O esgoto transborda, as pessoas reclamam, o tempo passa — e nada acontece.

Entre a QI 09 e a QI 05, o esgoto segue correndo. O mau cheiro se espalha. E a sensação coletiva é a de que viver e trabalhar ali significa conviver com o descaso como parte do cotidiano.

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