Justiça do DF transforma líder religioso em réu por crimes sexuais contra adolescentes no Guará

A Justiça do Distrito Federal decidiu tornar réu Gabriel de Sá Campos, 30 anos, acusado de abusar sexualmente de oito adolescentes que participavam da Igreja Batista Filadélfia, localizada no Guará 2. O ex-coordenador do ministério juvenil responderá por estupro de vulnerável e importunação sexual.

Detido em dezembro de 2025 pela Polícia Civil, Gabriel teve sua prisão temporária convertida em preventiva no dia 11 de fevereiro. Com isso, permanecerá encarcerado sem prazo definido e deve ser encaminhado ao Complexo da Papuda.

Padrão de abusos

As investigações da 4ª Delegacia de Polícia apontam que os crimes ocorreram de forma sistemática por cerca de seis anos. O acusado aproveitava sua posição de liderança para conquistar a confiança das famílias e se aproximar dos jovens. Segundo os relatos, ele utilizava inclusive cursos de integridade sexual ministrados na própria igreja para identificar fragilidades emocionais das vítimas.

Os abusos aconteciam em diferentes contextos: encontros privados com justificativa religiosa; festas do pijama organizadas na igreja; e convites para assistir filmes em sua residência.

Todos os adolescentes eram do sexo masculino. Alguns tinham apenas 10 e 12 anos quando os episódios começaram. Há registros de vítimas que foram violentadas por anos seguidos, até atingirem a maioridade.

Medidas judiciais

Além da prisão preventiva, a Justiça determinou: busca e apreensão em sua residência; quebra de sigilos telefônico e telemático; afastamento imediato de qualquer função religiosa;  e proibição de se aproximar das vítimas em um raio de 300 metros

Tentativas de encobrir os crimes

As apurações revelaram que familiares e líderes da igreja tentaram minimizar ou ocultar os fatos. O pai do acusado, presidente da congregação, chegou a classificar os abusos como brincadeiras. Em reunião de novembro de 2025, um diácono sugeriu um pacto de silêncio, afirmando que problemas da igreja se resolvem na igreja.

A mãe do investigado também teria intimidado adolescentes, acusando-os de falso testemunho e ameaçando processar famílias.


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